Depoimentos

Relatos da Comunidade

Profa. Dra. Daniela Cardozo Mourão

Bacharel e Mestre em Física pela UNESP. Doutora em Engenharia e Tecnologias Espaciais pelo INPE.


"Por causa da violência e expulsão da família, escola e sociedades, muitas mulheres trans que têm carreira, vida social e familiar, são aquelas que fazem a sua transição tardia. A minha transição de gênero ocorreu após os 40 anos. Durante este período, por desconhecimento, já que este assunto não é discutido, entendi a minha identidade de gênero como uma perversão, em que me auto condenava. Algo que teria de ser arrancado. Após todas estas décadas, finalmente tive oportunidade de entender o significado de gênero, e assim entender, que não tinha que me odiar e sofrer internamente por ser diferente.

De fato, percebi que coisas muito simples, para pessoas cis (não trans), podem ser complicados para pessoas trans. Cada vez que se vai em um lugar que se tem de apresentar um documento, como cinema, ônibus, hotéis, e mesmo consultas médicas, tem de se explicar a sua vida, sem saber como a pessoa do outro lado vai reagir. O uso do banheiro público pode ser um local de perigo. Independente de qual porta se entre, podem somente gritar, ameaçar ou até expulsar violentamente, fazendo você passar um grande vexame público. Não é atoa que o segundo maior transtorno de saúde para pessoas trans se relaciona ao trato urinário. 

Para as que têm menor passibilidade, o estar em público pode ser visto como ameaça. Como muitas já aprendem cedo na escola. Em uma situação de alto desemprego que vivemos hoje, conseguir uma entrevista ou possibilidade de vaga já é muito difícil. Para pessoas trans, conseguir passar pela portaria, ser vista como potencial candidata válida, não ser degradada nos processos seletivos pode ser uma vitória."

Paolla Martins

Ser trans é transcender a si mesmo, é encarar o espelho com amor e o mundo com coragem. Ser trans é entender que não é errado ser diferente, e que ser diferente significa que você é forte o suficiente para não ter que ser igual. Ser trans é conviver com o medo, sair de casa sem saber se vou voltar. Sou trans com ousadia de não deixar que a transfobia que me assola lá fora seja as grades da minha prisão dentro de mim mesmo. Ser trans é resistir".


Pedro Henrique Lariano

"Quando você é um homem gay ou uma mulher lésbica, ao longo da sua vida você sofre diversas demonstrações de homofobia, discriminação e de maneira gratuita. Uma delas que me marcou bastante aconteceu inclusive recentemente, no meu ambiente de trabalho"

"Eu trabalho com eventos e, em um deles, eu tinha que ir de um ponto até o outro. Só que nesse local onde eu tinha que passar tinha uma boa parcela do público. Era próximo de uma área de camarim de artistas. Então, o público estava ali concentrado tentando passar e segurança, fazendo todo o trabalho dele de não autorizar", relata.

"Porém eu tinha autorização e pedi ao segurança para que ele me autorizasse e eu passei. Só que no momento que estava passando, uma das pessoas do público estavam ali, mais precisamente um homem, estava com bastante raiva, então ele já veio, gritou pra mim, alta, bom sono 'tinha que ser viado. Essa frase ali ecoou muito forte não somente no ambiente, mas também a minha cabeça e me fez lembrar de outras determinadas situações que já vivenciei que foram de demonstração gratuitas de preconceito, de discriminação, de homofobia, de raiva, que é muito do que a gente já sofre no dia dia", lamentou.

"Então isso me machucou bastante. Eu estava simplesmente trabalhando, fazendo aquilo que eu mais amo fazer, e ouvir isso ali, em alto e bom som, como uma forma de xingamento, como uma demonstração gratuita de raiva, foi algo bem marcante para mim e que me machucou bastante", finalizou.

Lucas Vasconcellos

Publicou um texto nas redes sociais como informou ao seu melhor amigo (irmão caçula) sobre sua homossexualidade.


- Tu sabes o nome que se dá a quem gosta de pessoas iguais? Homens que gostam de outros homens, e mulheres que gostam de outras mulheres? - indagou Lucas. Nesse momento, ao ver o menino reticente, tinha a palavra "gay" como resposta na ponta da língua. Mas foi surpreendido:

- ...amor? - respondeu o caçula.

A resposta do irmão de Lucas emocionou os amigos do jovem e viralizou nas redes sociais.


Alice Moura

"É dizer chega e confrontar medos, separações e julgamentos. É finalmente se libertar e dizer 'Eu sou assim, me aceite ou me veja ir embora'. É amar com todas as forças e proteger quem está correndo com você. É ser leal à sua essência. É dizer não ao que te fere e sim ao que te faz feliz."


Thiago Rocha

"Ser uma pessoa LGBTQI+, pra mim, ainda é muito controverso. Por um lado, estou no caminho da liberdade e encontro com o que eu quero ser, no âmbito mais pessoal e profundo da minha vivência enquanto negro e gay. Do outro lado, me vejo na guerra emocional e psicológica de ver todos os dias notícias que mais um dos meus perderam suas vidas e memórias por meio da violência, abandono e falta de humanidade. Parafraseando Caetano, 'cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é', e eu me sinto no dever de contribuir para que a delícia da liberdade e do amor se tornem presentes na vida dos meus."

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